sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Refutando suposta evidência contra o livre arbítrio

Será que a neurociência refuta o conceito tradicional de livre arbítrio? Será que demonstra inequivocamente que existe apenas o determinismo estrito? O presente texto intenciona unicamente demonstrar que a atividade cerebral não elimina o livre arbítrio.

Superficialmente a neurociência parece refutar o livre arbítrio. Afinal estabelece que existe um processo determinista anterior à tomada consciente de decisão. Mas o raciocínio se baseia em um grande equívoco: O argumento se fundamenta em falsa dicotomia. Pré-determinação não exclui o livre arbítrio. Nós podemos estar pré-determinados a operar livremente. Ou seja, filosoficamente nossas faculdades mentais podem determinar que as ações sejam livres. O fato da decisão ser efetivamente tomada antes de nós estarmos conscientes de forma nenhuma refutaria a liberdade de escolha. Isso porque a própria escolha poderia ser suprimida pela volição consciente. Depois que um indivíduo mentalizar a cor azul ele então poderia alterar essa escolha para a cor branca e assim por diante. Nessa altura os postulantes contra a existência do livre arbítrio poderiam sugerir que um processo neurológico paralelo suprimiu a primeira escolha. No entanto isso é inverossímil. Como o cérebro ativaria uma escolha para logo em seguida reprimi-la? Está evidente que o próprio cérebro possui um grau de liberdade e não é estritamente determinista. Sua atividade deve portanto ser probabilística e não rigorosamente determinista. Caso contrário o primeiro impulso teria se concretizado de maneira infalível. Por consequência existe imprevisibilidade e incerteza inerentes aos mecanismos neurológicos. Em síntese, a pré-determinação não exclui o livre arbítrio, desde que podemos estar determinados a agir livremente. Além disso, os processos neurológicos não estão pré-determinados a ocorrer. A escolha a nível inconsciente pode ser posteriormente obstruída pela volição a nível consciente. A existência de mecanismos neurológicos paralelos suprimindo o processo original não mudam a implicação, pois demonstram que os sistemas cerebrais não pré-determinam o ato da escolha. Existe imprevisibilidade viabilizando a liberdade de escolha. Portanto a neurologia certamente jamais refuta a existência do livre arbítrio.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Como explicar a vasta complexidade do universo?

Alguns ateus ensejam a teoria de que a matéria tem capacidade inata de auto-organização, sendo essa uma explicação alternativa ao acaso e ao desígnio. Será que o universo surge por necessidade intrínseca à matéria?

Na verdade não existe nenhuma necessidade operacional que seja responsável por essa suposta auto-organização. De acordo com essa proposição o universo não poderia ser diferente, em virtude da configuração atual surgir necessariamente da matéria. Porque a configuração atual é necessidade da matéria, não poderia ser contingente. Mas isso está equivocado, porque se na quebra de simetria as constantes físicas fundamentais assumissem um valor levemente distinto, o universo seria dramaticamente diferente. Se o estado presente do universo fosse necessário ele nunca poderia ser diferente, o que caracteriza inferência equivocada. A própria evidência empírica testifica contra esse pressuposto. O universo está sempre mudando, embora ele permaneça basicamente igual. Por exemplo, conforme a famosa segunda lei da termodinâmica a quantidade de energia utilizável no universo está gradativamente decrescendo. Em uma eternidade de tempo nosso universo estará drasticamente diferente, com equilíbrio térmico completo e sem produção de energia utilizável para trabalho. Além disso, segundo a teoria do Big Bang o universo sofreu grandes mudanças desde a singularidade inicial, com decréscimo progressivo de densidade e temperatura. Até a matéria não existia nos primeiros instantes do universo. Em síntese, se houvesse uma leve variância na quebra de simetria as constantes fundamentais teriam assumido um valor diferente. Logo é errado presumir que a configuração presente do universo seja inalterável. Além disso, conforme a segunda lei da termodinâmica e a teoria do Big Bang nosso universo está sujeito a transformações. O universo experimentou mudanças sensíveis, como a produção de matéria em seu início. Portanto o universo físico não possui capacidade inerente de auto-organização, desde que a presente configuração cósmica não constitui necessidade inerente a matéria. Por essa razão a tese ateísta está equivocada.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ponderação sobre a complexidade da realidade

Uma dissertação resumida sobre a complexidade da realidade e suas implicações em referência ao argumento da Certeza. Qual o impacto da complexidade no argumento da Certeza?

Em primeiro lugar, a infinita complexidade implica em infinitude espacial desde que equivale a máxima quantidade concebível de variáveis, seja na esfera macrocósmica ou na esfera subatômica. Todavia independente do espaço complexidade infinita resulta em todas as possibilidades de existência e nenhuma de inexistência. Logo a entidade infinitamente complexa existe. Em segundo lugar, sem haver substrato ontológico adicional seria impossível haver reinterpretação da realidade desde que não haveria provisão de novos dados. Não haveria nenhum dado adicional viabilizando sua reformulação. É necessário haver múltiplos planos ocultos da realidade para que ela mesma seja redefinida. Em terceiro lugar, muito embora a informação se torne radicalmente diferente com a introdução de novos dados, sua definição elementar permanece. Sempre será necessário haver o remetente que envia a informação e o destinatário inteligente que recebe e interpreta a informação. Sem mente a informação não teria nem potencial. Porque a mente é a única causa da emergência da informação, ela seria aniquilada. Até a realidade seria destruída desde que informação descreve a sua estrutura. Informação representa propriedades da realidade. Em síntese, a infinita complexidade resulta em infinitude espacial porque detém todas as variáveis em qualquer escala. De qualquer forma máxima complexidade equivale a todas as possibilidades de existência e nenhuma possibilidade de inexistência. Além disso, para haver reformulação da realidade é preciso existir uma fonte ontológica provendo novos dados. Do contrário seria impossível ocorrer redefinição perpétua da realidade. E por que? Porque não haveria planos ocultos da realidade com a finalidade de produzir os dados adicionais. Em último lugar, muito embora a realidade se revele drasticamente diferente com a inserção de novos dados, o conceito básico de informação permanece incólume. Informação requer remetente que providencie a informação e um destinatário que a interprete. Finalmente, a informação descreve a essência da realidade e portanto sem informação a realidade seria destruída. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sobre suposta dicotomia existência x realidade

Alguns pensadores presumem que a existência é algo enquanto realidade é outra coisa. O presente artigo visa esclarecer isso. Esse argumento é uma abordagem diferente. Lembrando que uma falsa interpretação subjetiva da existência jamais significa diferença objetiva entre realidade e existência.

Os críticos preceituam que realidade é a verdadeira essência de algo enquanto existência é apenas o substrato. Por exemplo, uma miragem no deserto não é realidade embora exista. Por outro lado a água do mar é real e existe ao mesmo tempo. Em primeiro lugar, admitindo que existência e realidade sejam dissociadas ainda há implicação da complexidade. Por exemplo, se for descoberto que no universo existe apenas uma dimensão do espaço enquanto as outras duas são projeções holográficas isso nunca simplificaria a existência. Embora simplifique a realidade, a existência ainda é composta por três dimensões espaciais adicionadas ao mecanismo holográfico. Portanto a existência seria ainda mais complexa que a realidade. O que significa que qualquer descoberta científica só aumenta a vasta complexidade da existência. Em segundo lugar, realidade existe senão nem seria realidade. Portanto a existência absoluta abrange a própria realidade. Caso a existência absoluta fosse inferior a realidade então seria limitada em sua capacidade de conter a existência. Em virtude de todas as partes da existência compartilharem da natureza do Todo (existir), por isso existência equivale exatamente a realidade. Em decorrência da existência ter aplicação universal, a realidade se identifica com a existência em plenitude. Pois a realidade detém em si a totalidade da existência (o existir). Em síntese, contrastando existência com realidade, a existência jamais se simplificaria. Embora a realidade pudesse se simplificar, a existência unicamente assimila todas as variáveis. Existência é conjugação de todas as variáveis, incluindo a própria realidade. Por isso sempre se torna mais complexa. Além disso, existência absoluta contém toda existência incluindo a própria realidade. Se realidade não existisse não poderia ser real. E se a existência absoluta não contivesse a realidade ela definitivamente seria menos que absoluta. Isso implica que existência é realidade desde que Todo e partes são completamente idênticos. Portanto realidade é existência e ao mesmo tempo a existência é realidade.

A ciência se baseia em postulados metafísicos?

Será que o conhecimento científico é autônomo e independente? Que será que é epistemologicamente dependente da metafísica? O presente texto tenta vislumbrar a resposta para essas questões.

Na verdade o método científico parte de axiomas metafísicos que jamais poderiam ser justificados empiricamente. São parâmetros assumidos como verdadeiros para servir de fundamento para o pensamento científico. O princípio da testabilidade empírica, por exemplo, não pode ser empiricamente testado. Se trata de um postulado a priori que não ser confirmado experimentalmente. Portanto a ciência é epistemicamente dependente da metafísica. Isso não significa que haja limites para a ciência no plano físico. Certamente inferir que a ciência tem limitações intrínsecas e que nunca será capaz de explicar algum fenômeno é incorrer em falácia. Não temos conhecimento sobre sua evolução nos séculos seguintes para asseverar isso. A história tem demonstrado que sua capacidade de acumular dados e se aperfeiçoar é fenomenal e sem nenhum limite inato. Além disso, ainda que a ciência não tenha acesso a Causa Primeira, pode explicar os aspectos da interação entre a realidade suprema e a natureza. Por exemplo, o milagre produz efeitos físicos embora tenha uma Causa transcendente. Os efeitos da interferência divina na natureza podem ser explicados cientificamente. Um cientista saberia explicar o crescimento de uma perna (crescimento de tecidos, vasos sanguíneos, estrutura óssea, etc). Embora talvez não seja capaz de explicar a causa. Portanto a ciência não possui limitações inerentes, muito embora a mesma esteja fundada na metafísica. Em síntese, a ciência parte de premissas metafísicas desde que nenhum de seus postulados se sustentam mediante seus próprios critérios. A ciência requer uma fonte extrínseca para lhe servir de base. Além disso, é prematuro concluir que a ciência nunca será capaz de explicar algum evento. A ciência é cumulativa e auto-corretiva, sempre se aprimorando. A história mesma é testemunha do potencial evolutivo da ciência. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

É possível que a nossa realidade seja diferente?

Será que nossa realidade poderia ser drasticamente diferente do que pensamos que seja? Isso expande ou reconfigura a realidade? Na verdade a realidade ilimitada tem probabilidade máxima de existência, ao contrário das frações limitadas. Por essa razão o argumento enfoca uma abordagem diferente.

Será que a realidade poderia ser tão diferente do que atualmente concebemos? Na verdade a realidade poderia se revelar diferente sem alterar escala ou no contexto de realidade mais ampla. Por exemplo, a teoria cosmológica segundo a qual a energia positiva da matéria é contrabalanceada pela energia gravitacional negativa reconceitualiza o mesmo plano da realidade. Mas a teoria sobre o multiverso insere a pluralidade de universos paralelos como pano de fundo. Contudo nós não devemos incorrer em falsa dicotomia. A inserção de plano mais abrangente de forma nenhuma exclui a reinterpretação de um mesmo plano. Na verdade para que ocorra reformulação da realidade acessível é preciso que exista esferas maiores de realidade. A realidade mais abrangente na qual estaria contida a sub-realidade definitivamente consolida a reconcepção da sub-realidade em seus mínimos detalhes. Sem a existência de múltiplas dimensões ocultas da realidade não haveria informação oculta para a realidade local se revelar diferente. Por exemplo, o heliocentrismo amplia a perspectiva do observador na superfície do planeta e forneceu informação para releitura do geocentrismo. Se a realidade fosse inteiramente simples, sem possuir nenhuma fração ou componente, seria impossível detectar novas facetas e aspectos. A complexidade da realidade viabiliza a redefinição pois insere novos planos que modificam a própria natureza do Todo. Por exemplo, segundo a teoria das cordas átomos nada mais são do que mero padrão específico de vibração. Isso contextualiza a realidade em um plano mais amplo sem eliminar os átomos, mas unicamente os redefinindo. Fenomenologicamente é impossível eliminar os átomos porque fazem parte da observação. É possível apenas reconceitualizá-los. E isso só poderia ocorrer em contexto mais abrangente provendo novos dados. Portanto a ampliação da realidade é plenamente necessária para ocorrer reinterpretação.

O problema do mal refuta o Ser Onibenevolente?

Será que o problema do mal refuta a bondade de Deus? Ou será que onibenevolência e o mal podem ser conciliados? Isso será discutido nesse texto.

Em primeiro lugar é preciso determinar a natureza do mal. O mal não é uma substância existente em si mesma, mas sim corrupção e degradação de alguma substância. O mal existe, mas não como uma entidade autônoma, e sim como um parasita ontológico. Ele existe em substâncias, corrompendo a sua integridade. É como a ferrugem no carro, um câncer no organismo, ou como a traça que corrói roupas. Logo Deus não é responsável por criar o mal, em virtude de Deus produzir unicamente as substâncias. Em segundo lugar, só o Onisciente possui condição epistêmica de inferir que a existência transitória do mal é condição necessária para obtenção do bem perpétuo. Nós estamos limitados em nossa capacidade de apreender e conceber a realidade. Entretanto o Criador tem visão panorâmica de todas as coisas e precisamente por isso Ele pode intuir que a existência provisória do mal é meio necessário para materialização do bem imutável. Deus conhece a realidade em seu âmago, no entanto nós temos apenas uma perspectiva limitada e fragmentária. Logo não podemos concluir que a existência do mal refuta o Onibenevolente. Com certeza permitir o mal brevemente para então obter o bem perpétuo que jamais poderia ser atingido de outra forma é um ato de misericórdia. Em terceiro lugar, nem o Onipotente pode realizar todas as coisas concebíveis. Ele não pode escolher ser criado, desde que o Eterno jamais poderia ser criado. Nem ser contingente, porque é auto-existente. E a própria Bíblia afirma que é impossível que o Criador minta. Embora haja outros conceitos de onipotência, o presente argumento trabalha com o conceito predominante na teologia cristã. Ser onipotente é ter o poder para realizar tudo aquilo que seja logicamente possível (por exemplo, ter poder para criar ou destruir infinitos universos). O ato contraditório não tem consistência lógica (por exemplo, criar quadrados triangulares). Assim nem Deus pode forçar o homem a agir livremente. Nem Deus poderia mudar o fato de que o mal é meio necessário para o bem maior. Logo os críticos estão errados.