domingo, 20 de abril de 2014

Argumento da Certeza sobre a existência de Deus

Uma crítica ao argumento da Certeza enuncia que é impossível determinar se Deus contém todas as possibilidades de existência e por isso exista com certeza. Será que esses críticos estão com a razão? Esse argumento visa demonstrar que a realidade ilimitada implica em certeza matemática de existência, embora a natureza exata das variáveis possa variar.

Introdução: A própria realidade sempre poderia transcender a fração observável, desde que a nossa capacidade de escrutinar os planos adicionais seria limitada. Então há infinitas possibilidades de ser. Embora não haja uma diversidade ilimitada, há quantidade infinita de entidades possíveis. Não obstante exceda isso, o cosmo com volume infinito e infinitos universos paralelos são exemplos. Definitivamente infinitos universos concebíveis estão em planos diferentes e sua configuração varia, sendo irrefutáveis por nossos princípios operacionais. No entanto talvez infalseáveis na prática, quantidade infinita de universos bolha são falseáveis a princípio. Por exemplo, o modelo enunciado pela cosmologia inflacionária referente ao multiverso proposto pela inflação caótica é falseável. Além disso, a evidência corrobora o postulado de que o universo é infinito, porque o universo quase certamente possui geometria euclidiana, sem borda ou fronteira. Por último, o universo espaço-tempo é sempre mais amplo que o horizonte cósmico de eventos. Mediante o princípio da isotropia e até em cenário estacionário, fronteiras em expansão de qualquer quadrante do cosmo infinito estão indelevelmente além do espectro empiricamente detectável. Complementarmente, uma seção poderia parecer ser esférica ou torus, embora inserida em setor euclidiano. A seção é segmento semelhante à circunvizinhança de objeto astronômico produzindo deformação espacial local. Como resultado o cosmo infinito pode alternar configurações locais. Portanto há infinitas possibilidades.

1 a) Normalmente estabelecer a factualidade ou realidade de uma hipótese específica implica em eliminar todas as alternativas. Por exemplo, estabelecer empiricamente a tese da expansão métrica do universo espaço-tempo significa eliminar a hipótese do estado estacionário, ou seja, comprovar que o universo está expandindo significa refutar que ele esteja em repouso absoluto. Por analogia, se eu tenho unicamente uma bolinha no meu bolso, ao demonstrar que existe uma bolinha específica preta eu elimino a hipótese de que poderia existir uma bolinha específica marrom. Em resumo, duas hipóteses diametralmente opostas sobre o mesmo fenômeno não podem ser simultaneamente verdadeiras.

1 b) Contudo se nós postularmos uma entidade ilimitada todas as possibilidades de existência são tecnicamente viáveis. Ilustrando, se o conjunto ilimitado encompassa todas as bolinhas possíveis, a existência de uma bolinha específica amarela jamais refutaria a existência de uma bolinha específica vermelha. Isso significa que a existência ilimitada viabiliza a estrutura do sistema multiversal, onde universo específico co-existe com pluralidade de universos em planos diferentes. Paralelamente, se todas as variáveis físicas do universo existem ao mesmo tempo, por conseguinte nenhuma variável específica jamais poderia refutar outra porque o próprio universo abrange literalmente tudo. Como resultado o universo pode conter subseções diferentes ao mesmo tempo. Em resumo, a entidade ilimitada concilia todas as possibilidades de existência.

2 a) A probabilidade do nada depende do conhecimento prévio sobre alternativa de existência. Tipificando, a probabilidade de nenhuma bolinha é calculada no confronto com bolinhas: 1) A azul está no meu bolso. 2) A preta está no meu bolso. 3) A verde está no meu bolso. 4) Várias bolinhas estão no meu bolso. 5) Nenhuma está no bolso. Analogamente, sem conhecimento sobre o conceito de buracos negros seria impossível estipular a probabilidade de não existir nenhum em um quadrante. Para saber a probabilidade de não existir vida em Marte é necessário equacionar as condições favoráveis à existência e as condições favoráveis à inexistência. Em síntese, quantificar o nada é contrastar com alternativas de ser (ex: vida vs não-vida). Logo sem conhecimento sobre alternativas de existência seria impossível mensurar a probabilidade do nada.

2 b) A probabilidade de inexistência é inversamente proporcional a probabilidade da existência. Adicionalmente, o cálculo sobre a probabilidade do nada se baseia no conhecimento antecipado das alternativas de existência. Portanto se todas as variáveis possíveis estão somatizadas a probabilidade do nada é zero. Se porventura todas os mecanismos estão agregados não existe possibilidade de inexistência do computador. Se todas as condições necessárias e suficientes para formação de determinada estrela se associarem, portanto a probabilidade de inexistência da estrela referida é zero. Caso todas as condições para existência de vida estejam presentes (incluindo tempo) a vida definitivamente existe. Não há nenhuma possibilidade de inexistência. Logo se o Ser ilimitado tem todas as possibilidades de existência, então a probabilidade do nada é zero.

3) Nosso universo infinito concentra infinitos volumes de Hubble (distância a partir da qual um objeto se desloca mais rapidamente que a luz em relação a um observador). Portanto realiza todas as condições iniciais e todas as combinações possíveis. Isso inclui a própria configuração precisa de elementos químicos e físicos que reproduzem a consciência. Há probabilidade máxima que todas as combinações elementares se concretizem. Desde que  0,999...  e o número inteiro 1 são idênticos, portanto o conjunto das infinitas unidades fundamentais de matéria é equivalente a uma realidade simples indivisível em última instância. Portanto o ente ilimitado transcende as estruturas complexas em escala máxima enquanto é constituído por todas as interações entre as partes fundamentais. Como resultado o Todo tem todas as propriedades combinatórias.

Conclusão: Sobre possibilidade de existência, seria impossível eliminar uma possibilidade de ser fundamentado em alternativas diferentes, pois a entidade ilimitada agrega todas as possibilidades de ser, portanto contém todas as alternativas. Se tenho todos os universos possíveis contidos no multiverso portanto um universo específico não refutaria qualquer universo alternativo, desde que cada um existe em seu próprio plano. Se todas as variáveis estão configuradas em um universo nenhuma variável específica jamais poderia refutar outra desde que todas estão presentes no cosmo. Como implicação o cosmo realmente intercala setores diferentes. Sobre probabilidade de inexistência, a probabilidade de nenhuma entidade infinita é inversamente proporcional a probabilidade da entidade infinita. Além disso, é calculada e quantificada baseado no conhecimento antecipado sobre as alternativas de existência. Se todas as condições necessárias e suficientes se materializarem, portanto a probabilidade de inexistência de qualquer estrela seria efetivamente zero. Se todas as condições para existência de vida estão presentes (incluindo tempo) então certamente existe vida. Se a entidade ilimitada tem todas as possibilidades de existência, então a probabilidade do nada é estritamente zero. Finalmente, o Todo contém todas as combinações entre frações fundamentais e portanto todas as propriedades ontológicas possíveis. Logo o Ente ilimitado, dotado de infinitos fragmentos, inexoravelmente existe.


Definindo conceitos controversos: 


Probabilidade: A realidade sempre poderia transcender o fragmento verificável, pois a capacidade de escrutínio talvez seja limitada. Então há infinitas possibilidades de existência. Além disso, a probabilidade de existência é sempre inversamente proporcional a probabilidade de inexistência. Se há 90% de chances de existir vida em Marte portanto há 10% de chances de inexistir vida em Marte. Por conseguinte se todas as condições suficientes e necessárias para a existência de algo estão agregadas, a probabilidade de inexistência é realmente zero. Como resultado o Ente absoluto existe pois contém as infinitas possibilidades de existência e nenhuma de inexistência. Partindo do princípio que a quantidade 0,999... equivale ao inteiro 1, todas as combinações elementares entre as partículas fundamentais se unificam na escala do Todo. Logo o Todo integraliza as propriedades combinatórias.

As quantidades indefinidamente próximas são idênticas 
Não existe último elemento ou término entre 0,999... e 1, sendo que a diferença entre ambos é a menor possível. Em decorrência da diferença maior que zero resultar em término em direção a 1, logo a menor diferença possível é zero. Então o postulado que números indefinidamente próximos se equivalem é válido até para os sistemas não convencionais. Em um sentido estritamente lógico seria impossível preceituar uma diferença menor do que zero. Apenas na hipótese da menor diferença possível ser um infinitesimal entre números específicos essa inferência não seria válida. Porém isso é naturalmente inverídico, em virtude da diferença zero ser menor do que qualquer infinitesimal. Por consequência até mesmo em sistemas de análise não-padrão a premissa enunciada é legítima.

Sobre Transcendência e Imanência: Partindo do dado elementar que em última análise a quantidade 0,999... equivale ao inteiro 1, se depreende então que a entidade ilimitada é transcendente e imanente. É transcendente porque o número inteiro 1 é diferente da soma de partes e frações, e imanente porque 0,999... é igual a soma das partes. Assim como metade do corpo de uma pessoa de 2 metros de altura transcende uma piscina de 1 metro de profundidade, metade de seu corpo está imanente nela e é contida pela piscina. Isso significa que o Todo é igual e diferente da soma das partes ao mesmo tempo. Ou seja, o Ser ilimitado é igualmente transcendente e imanente.

Tempo entre emissão e recepção da luz: Entre o período de emissão da luz e o período de captação, houve tempo suficiente para o espaço expandir. Logo em cada setor o universo real é maior do que o universo observável. De acordo com o princípio da isotropia isso se aplica a todas as subseções do cosmo porque as evidências empíricas são universais. Portanto implica em infinitude espacial. Não existiria nenhum segmento menor ou equivalente a amplitude observável, de maneira que o universo seria realmente infinito. Isso resulta em infinitude real, não meramente potencial, pois de acordo com o princípio da isotropia cada quadrante do cosmo é atualmente maior que o espectro observável. Portanto o cosmos é infinito.

Os diferentes setores: O universo e a realidade realmente abrangem diferentes subseções e facetas que co-existem harmonicamente. Com relação ao nosso universo isso jamais viola o Princípio Cosmológico, pois esse princípio enseja homogeneidade e isotropia unicamente em larga escala. Além disso, múltiplos universos paralelos podem co-existir cada um em seu próprio plano. Desde que não existem no mesmo plano logo eles não são mutuamente excludentes. Finalmente, as diferentes possibilidades de existência encompassam a própria realidade ilimitada. Logo são complementares pois as diferentes estruturas da realidade co-existem simetricamente em cada esfera.

Testabilidade http://www.scientificamerican.com/article/gravitationalwavefindingcausesspringcleaninginphysics/WT.mc_id=SA_Facebook Transfinito http://legacy.earlham.edu/~peters/writing/infapp.htm  Demonstra a existência de conjuntos transfinitos, cuja quantidade de elementos seja efetivamente infinita. A cardinalidade dos conjuntos transfinitos, porém, varia. Cardinalidade é a quantidade máxima de elementos que um conjunto específico possui. Em síntese, a existência de conjuntos literalmente infinitos viabiliza a existência da entidade ilimitada. A descoberta empírica recente sobre as ondas gravitacionais residuais, originadas da época inicial de inflação exponencial, corrobora com o postulado básico da teoria inflacionária caótica. Logo isso constitui uma condição de falseamento e implica fortemente que a tese sobre multiverso inflacionário seja altamente plausível.

0,999....= 1 http://en.wikipedia.org/wiki/0.999... Isso significa que a referida quantidade infinita de partículas fundamentais de matéria é igual ao inteiro indivisível. Sem arbitrariedade, pois é o primeiro cardinal infinito. Combinados o inteiro 1 e as infinitas frações co-existem, porque a interação entre frações elementares estrutura  o inteiro. Como resultado o Todo é unificante em escala máxima enquanto é constituído pela interação entre as infinitas frações. Na extensão do inteiro todas as partes se unificam como Todo. Logo o Todo unificador e a soma das partes são aspectos complementares e simultâneos. Como analogia, um objeto em mini-escala é constituído por átomos, embora em macro-escala ele seja uniforme. E assim peculiaridades combinatórias integram o Todo.

O Tempo e espaço http://books.google.com.br/books?id=fFSMatekilIC&pg=PA27&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false Tempo e espaço são dimensões correlacionadas e codependentes, mas não são equivalentes. Caso espaço e tempo fossem idênticos, a extensão do espaço deveria ser proporcional à expansão desde a época do Big Bang até agora. No entanto o universo observável não possui 13 bilhões de anos luz de extensão. Na verdade tem uns 90 bilhões de anos luz de amplitude. Mas o espaço não começou a existir na singularidade? Na singularidade densidade e temperatura eram infinitas. Em virtude do espaço ser inversamente proporcional, então na medida que esses valores se tornaram finitos, o espaço se tornou infinito. Por conseguinte o espaço é certamente infinito.

Isotropia http://www.astro.ucla.edu/~wright/cosmo_01.htm Multiverso http://www.counterbalance.org/cq-guth/etern1-frame.html Há uma quantidade realmente infinita de universos prevista no modelo inflacionário. Além disso, em todos as subseções do espaço as mesmas leis físicas e evidências empíricas se aplicam. Não há um setor privilegiado no universo e a radiação cósmica de fundo é isotrópica, ainda que não haja homogeneidade. Isso embasa a infinitude espacial do próprio cosmo, em virtude do fator expansão do espaço e a emissão de luz e recepção da luz por algum observador. Portanto implica que cada quadrante do universo é maior agora que seu fragmento observável. Logo segundo consta o universo não é potencialmente infinito, mas atualmente infinito.

A velocidade máxima da expansão espacial é superior a da luz  http://arxiv.org/abs/astro-ph/0310808 Logo a luz de referenciais suficientemente distantes jamais nos alcançaria. Em síntese, nosso universo sempre pode ser maior que a esfera observável. Isso resulta em infinitas possibilidades de existência e nenhuma possibilidade de inexistência. Em resumo, implica na certeza máxima de existência de uma entidade ilimitada. Combinado com o dado de que dobras espaciais locais estão localizadas em espaço plano, isso viabiliza que um setor aparentemente esférico esteja localizado em segmento euclidiano mais abrangente. E assim por diante até totalizar o universo.

Dobra http://www.theguardian.com/science/2007/apr/15/spaceexploration.universe Na presença de massa o tecido do espaço (a sua própria estrutura) se "dobra" ou "deforma". Um corpo sideral muito próximo e de menor massa seria atraído em direção a essa distorção, assim como uma bola de gude numa superfície maleável com bola de tênis no centro. Mas o efeito é local. Em síntese, a dobra reproduz as características de espaço esférico ou torus localmente enquanto está situada em um espaço plano mais amplo. Portanto um quadrante específico do universo poderia caracterizar a dobra enquanto estaria inserido em uma subseção euclidiana mais abrangente. E assim por diante até totalizar o espaço-tempo infinito.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Refutando suposta evidência contra o livre arbítrio

Será que a neurociência refuta o conceito tradicional de livre arbítrio? Será que demonstra inequivocamente que existe apenas o determinismo estrito? O presente texto intenciona unicamente demonstrar que a atividade cerebral não elimina o livre arbítrio.

Superficialmente a neurociência parece refutar o livre arbítrio. Afinal estabelece que existe um processo determinista anterior à tomada consciente de decisão. Mas o raciocínio se baseia em um grande equívoco: O argumento se fundamenta em falsa dicotomia. Pré-determinação não exclui o livre arbítrio. Nós podemos estar pré-determinados a operar livremente. Ou seja, filosoficamente nossas faculdades mentais podem determinar que as ações sejam livres. O fato da decisão ser efetivamente tomada antes de nós estarmos conscientes de forma nenhuma refutaria a liberdade de escolha. Isso porque a própria escolha poderia ser suprimida pela volição consciente. Depois que um indivíduo mentalizar a cor azul ele então poderia alterar essa escolha para a cor branca e assim por diante. Nessa altura os postulantes contra a existência do livre arbítrio poderiam sugerir que um processo neurológico paralelo suprimiu a primeira escolha. No entanto isso é inverossímil. Como o cérebro ativaria uma escolha para logo em seguida reprimi-la? Está evidente que o próprio cérebro possui um grau de liberdade e não é estritamente determinista. Sua atividade deve portanto ser probabilística e não rigorosamente determinista. Caso contrário o primeiro impulso teria se concretizado de maneira infalível. Por consequência existe imprevisibilidade e incerteza inerentes aos mecanismos neurológicos. Em síntese, a pré-determinação não exclui o livre arbítrio, desde que podemos estar determinados a agir livremente. Além disso, os processos neurológicos não estão pré-determinados a ocorrer. A escolha a nível inconsciente pode ser posteriormente obstruída pela volição a nível consciente. A existência de mecanismos neurológicos paralelos suprimindo o processo original não mudam a implicação, pois demonstram que os sistemas cerebrais não pré-determinam o ato da escolha. Existe imprevisibilidade viabilizando a liberdade de escolha. Portanto a neurologia certamente jamais refuta a existência do livre arbítrio.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Como explicar a vasta complexidade do universo?

Alguns ateus ensejam a teoria de que a matéria tem capacidade inata de auto-organização, sendo essa uma explicação alternativa ao acaso e ao desígnio. Será que o universo surge por necessidade intrínseca à matéria?

Na verdade não existe nenhuma necessidade operacional que seja responsável por essa suposta auto-organização. De acordo com essa proposição o universo não poderia ser diferente, em virtude da configuração atual surgir necessariamente da matéria. Porque a configuração atual é necessidade da matéria, não poderia ser contingente. Mas isso está equivocado, porque se na quebra de simetria as constantes físicas fundamentais assumissem um valor levemente distinto, o universo seria dramaticamente diferente. Se o estado presente do universo fosse necessário ele nunca poderia ser diferente, o que caracteriza inferência equivocada. A própria evidência empírica testifica contra esse pressuposto. O universo está sempre mudando, embora ele permaneça basicamente igual. Por exemplo, conforme a famosa segunda lei da termodinâmica a quantidade de energia utilizável no universo está gradativamente decrescendo. Em uma eternidade de tempo nosso universo estará drasticamente diferente, com equilíbrio térmico completo e sem produção de energia utilizável para trabalho. Além disso, segundo a teoria do Big Bang o universo sofreu grandes mudanças desde a singularidade inicial, com decréscimo progressivo de densidade e temperatura. Até a matéria não existia nos primeiros instantes do universo. Em síntese, se houvesse uma leve variância na quebra de simetria as constantes fundamentais teriam assumido um valor diferente. Logo é errado presumir que a configuração presente do universo seja inalterável. Além disso, conforme a segunda lei da termodinâmica e a teoria do Big Bang nosso universo está sujeito a transformações. O universo experimentou mudanças sensíveis, como a produção de matéria em seu início. Portanto o universo físico não possui capacidade inerente de auto-organização, desde que a presente configuração cósmica não constitui necessidade inerente a matéria. Por essa razão a tese ateísta está equivocada.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ponderação sobre a complexidade da realidade

Uma dissertação resumida sobre a complexidade da realidade e suas implicações em referência ao argumento da Certeza. Qual o impacto da complexidade no argumento da Certeza?

Em primeiro lugar, a infinita complexidade implica em infinitude espacial desde que equivale a máxima quantidade concebível de variáveis, seja na esfera macrocósmica ou na esfera subatômica. Todavia independente do espaço complexidade infinita resulta em todas as possibilidades de existência e nenhuma de inexistência. Logo a entidade infinitamente complexa existe. Em segundo lugar, sem haver substrato ontológico adicional seria impossível haver reinterpretação da realidade desde que não haveria provisão de novos dados. Não haveria nenhum dado adicional viabilizando sua reformulação. É necessário haver múltiplos planos ocultos da realidade para que ela mesma seja redefinida. Em terceiro lugar, muito embora a informação se torne radicalmente diferente com a introdução de novos dados, sua definição elementar permanece. Sempre será necessário haver o remetente que envia a informação e o destinatário inteligente que recebe e interpreta a informação. Sem mente a informação não teria nem potencial. Porque a mente é a única causa da emergência da informação, ela seria aniquilada. Até a realidade seria destruída desde que informação descreve a sua estrutura. Informação representa propriedades da realidade. Em síntese, a infinita complexidade resulta em infinitude espacial porque detém todas as variáveis em qualquer escala. De qualquer forma máxima complexidade equivale a todas as possibilidades de existência e nenhuma possibilidade de inexistência. Além disso, para haver reformulação da realidade é preciso existir uma fonte ontológica provendo novos dados. Do contrário seria impossível ocorrer redefinição perpétua da realidade. E por que? Porque não haveria planos ocultos da realidade com a finalidade de produzir os dados adicionais. Em último lugar, muito embora a realidade se revele drasticamente diferente com a inserção de novos dados, o conceito básico de informação permanece incólume. Informação requer remetente que providencie a informação e um destinatário que a interprete. Finalmente, a informação descreve a essência da realidade e portanto sem informação a realidade seria destruída. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sobre suposta dicotomia existência x realidade

Alguns pensadores presumem que a existência é algo enquanto realidade é outra coisa. O presente artigo visa esclarecer isso. Esse argumento é uma abordagem diferente. Lembrando que uma falsa interpretação subjetiva da existência jamais significa diferença objetiva entre realidade e existência.

Os críticos preceituam que realidade é a verdadeira essência de algo enquanto existência é apenas o substrato. Por exemplo, uma miragem no deserto não é realidade embora exista. Por outro lado a água do mar é real e existe ao mesmo tempo. Em primeiro lugar, admitindo que existência e realidade sejam dissociadas ainda há implicação da complexidade. Por exemplo, se for descoberto que no universo existe apenas uma dimensão do espaço enquanto as outras duas são projeções holográficas isso nunca simplificaria a existência. Embora simplifique a realidade, a existência ainda é composta por três dimensões espaciais adicionadas ao mecanismo holográfico. Portanto a existência seria ainda mais complexa que a realidade. O que significa que qualquer descoberta científica só aumenta a vasta complexidade da existência. Em segundo lugar, realidade existe senão nem seria realidade. Portanto a existência absoluta abrange a própria realidade. Caso a existência absoluta fosse inferior a realidade então seria limitada em sua capacidade de conter a existência. Em virtude de todas as partes da existência compartilharem da natureza do Todo (existir), por isso existência equivale exatamente a realidade. Em decorrência da existência ter aplicação universal, a realidade se identifica com a existência em plenitude. Pois a realidade detém em si a totalidade da existência (o existir). Em síntese, contrastando existência com realidade, a existência jamais se simplificaria. Embora a realidade pudesse se simplificar, a existência unicamente assimila todas as variáveis. Existência é conjugação de todas as variáveis, incluindo a própria realidade. Por isso sempre se torna mais complexa. Além disso, existência absoluta contém toda existência incluindo a própria realidade. Se realidade não existisse não poderia ser real. E se a existência absoluta não contivesse a realidade ela definitivamente seria menos que absoluta. Isso implica que existência é realidade desde que Todo e partes são completamente idênticos. Portanto realidade é existência e ao mesmo tempo a existência é realidade.

A ciência se baseia em postulados metafísicos?

Será que o conhecimento científico é autônomo e independente? Que será que é epistemologicamente dependente da metafísica? O presente texto tenta vislumbrar a resposta para essas questões.

Na verdade o método científico parte de axiomas metafísicos que jamais poderiam ser justificados empiricamente. São parâmetros assumidos como verdadeiros para servir de fundamento para o pensamento científico. O princípio da testabilidade empírica, por exemplo, não pode ser empiricamente testado. Se trata de um postulado a priori que não ser confirmado experimentalmente. Portanto a ciência é epistemicamente dependente da metafísica. Isso não significa que haja limites para a ciência no plano físico. Certamente inferir que a ciência tem limitações intrínsecas e que nunca será capaz de explicar algum fenômeno é incorrer em falácia. Não temos conhecimento sobre sua evolução nos séculos seguintes para asseverar isso. A história tem demonstrado que sua capacidade de acumular dados e se aperfeiçoar é fenomenal e sem nenhum limite inato. Além disso, ainda que a ciência não tenha acesso a Causa Primeira, pode explicar os aspectos da interação entre a realidade suprema e a natureza. Por exemplo, o milagre produz efeitos físicos embora tenha uma Causa transcendente. Os efeitos da interferência divina na natureza podem ser explicados cientificamente. Um cientista saberia explicar o crescimento de uma perna (crescimento de tecidos, vasos sanguíneos, estrutura óssea, etc). Embora talvez não seja capaz de explicar a causa. Portanto a ciência não possui limitações inerentes, muito embora a mesma esteja fundada na metafísica. Em síntese, a ciência parte de premissas metafísicas desde que nenhum de seus postulados se sustentam mediante seus próprios critérios. A ciência requer uma fonte extrínseca para lhe servir de base. Além disso, é prematuro concluir que a ciência nunca será capaz de explicar algum evento. A ciência é cumulativa e auto-corretiva, sempre se aprimorando. A história mesma é testemunha do potencial evolutivo da ciência. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

É possível que a nossa realidade seja diferente?

Será que nossa realidade poderia ser drasticamente diferente do que pensamos que seja? Isso expande ou reconfigura a realidade? Na verdade a realidade ilimitada tem probabilidade máxima de existência, ao contrário das frações limitadas. Por essa razão o argumento enfoca uma abordagem diferente.

Será que a realidade poderia ser tão diferente do que atualmente concebemos? Na verdade a realidade poderia se revelar diferente sem alterar escala ou no contexto de realidade mais ampla. Por exemplo, a teoria cosmológica segundo a qual a energia positiva da matéria é contrabalanceada pela energia gravitacional negativa reconceitualiza o mesmo plano da realidade. Mas a teoria sobre o multiverso insere a pluralidade de universos paralelos como pano de fundo. Contudo nós não devemos incorrer em falsa dicotomia. A inserção de plano mais abrangente de forma nenhuma exclui a reinterpretação de um mesmo plano. Na verdade para que ocorra reformulação da realidade acessível é preciso que exista esferas maiores de realidade. A realidade mais abrangente na qual estaria contida a sub-realidade definitivamente consolida a reconcepção da sub-realidade em seus mínimos detalhes. Sem a existência de múltiplas dimensões ocultas da realidade não haveria informação oculta para a realidade local se revelar diferente. Por exemplo, o heliocentrismo amplia a perspectiva do observador na superfície do planeta e forneceu informação para releitura do geocentrismo. Se a realidade fosse inteiramente simples, sem possuir nenhuma fração ou componente, seria impossível detectar novas facetas e aspectos. A complexidade da realidade viabiliza a redefinição pois insere novos planos que modificam a própria natureza do Todo. Por exemplo, segundo a teoria das cordas átomos nada mais são do que mero padrão específico de vibração. Isso contextualiza a realidade em um plano mais amplo sem eliminar os átomos, mas unicamente os redefinindo. Fenomenologicamente é impossível eliminar os átomos porque fazem parte da observação. É possível apenas reconceitualizá-los. E isso só poderia ocorrer em contexto mais abrangente provendo novos dados. Portanto a ampliação da realidade é plenamente necessária para ocorrer reinterpretação.